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Sinopse

Depois de Rainha Vermelha reencontramos Jon Gutiérrez e Antonia Scott, que seguiram cada um o seu caminho. Jon recuperou a sua posição na polícia e Antonia isolou-se em busca da sua paz interior. Mas Mentor quer juntá-los novamente, pois precisa que eles formem de novo uma equipa para resolverem um caso que é muito mais complicado do que parece. Assim, os dois viajam para Marbella para ajudar a polícia a encontrar Lola Moreno, que está a ser perseguida pelas forças de segurança e pela máfia russa. Antonia e Jon têm de descobrir o que está por trás desta mulher que, aparentemente, é apenas uma dona de casa cuja única ocupação é gastar o dinheiro do marido russo.

Extras

«É literalmente impossível não ficar agarrado. Antonia Scott é a melhor coisa que já aconteceu ao thriller internacional nos últimos anos.» ABC

«O melhor escritor de suspense da Europa é Juan Gómez-Jurado. Proteja o segredo deste romance quando sentir a necessidade inevitável de partilhá-lo.» Zenda

«Gómez-Jurado, autor de ascensão internacional, criou uma personagem cativante, a de Antonia Scott.» La Vanguardia

«Respire fundo antes de começar a ler. Não terá tempo de o fazer até ao fim.» Javier Sierra

«Estar entre os campeões da escrita é muito complicado, e é isso que acontece com Gómez-Jurado.» César Güemes, El Universal (México)

 

Excertos

«Jon Gutiérrez não gosta dos cadáveres no rio Manzanares. Não é uma questão de estética. Este cadáver é muito desagradável (parece que está há muito tempo na água), com a pele cerúlea repleta de manchas violáceas, as mãos quase separadas dos pulsos. Mas não é altura para se pôr com exigências. A noite está particularmente escura, e os postes de iluminação que iluminam o mundo dos vivos, seis metros acima deles, só servem para tornar as sombras ainda mais densas. O vento arranca estranhos murmúrios dos caniços e os oitenta centímetros de água estão bastante fresquinhos. Ao fim e ao cabo, estamos no Manzanares, são onze da noite e fevereiro já deixa ver a sua pata acinzentada por baixo da porta. Nada disto dos cadáveres no Manzanares incomoda Jon, porque está habituado às águas gélidas (é de Bilbau), aos sussurros na escuridão (é gay) e aos corpos sem vida (é inspetor da polícia). O que o lixa nos cadáveres no Manzanares é ter que puxá-los a pulso. Sou mesmo estúpido, pensa Jon. Isto é um trabalho para novatos. Claro que estes magricelas de Madrid não podem nem com as suas próprias almas. Não é que Jon seja gordo. Mas meia vida a ser o tipo maior na sala vai criando hábitos, quer se queira quer não. O defeito de ajudar. Que se transforma em necessidade quando vês três tontos acabados de sair da academia a fazerem-se de parvos entre os juncos, tentando retirar o corpo. E quase a conseguir afogar-se, em troca. Por isso, Jon enfia-se no fato de plástico branco, calça as botas de borracha e atira-se à água com um caralhosvosfodam que deixa as bochechas dos novatos vermelho-bofetada. O inspetor Gutiérrez aproxima-se, a passos largos, afastando tanto a água como os polícias inexperientes, e chega ao ilhéu de vegetação onde o cadáver encalhou. O corpo emaranhou-se numas raízes, e está mergulhado na corrente. Apenas afloram o rosto apagado e um dos braços. Agitada pelo rio, parece que a vítima tenta nadar para escapar ao destino inevitável. Jon benze-se mentalmente e mergulha os braços por baixo do cadáver. É suave ao tato e a gordura subcutânea move-se debaixo da pele como um balão recheado de pasta de dentes. O inspetor puxa. Com todas as suas forças de harrijasotzaile, de levantador de pedras. Num dia bom, chega a poder com 300 quilos. Afinca as pernas. Vão ver, estes novatos. Os seus enormes braços ficam tensos, e acontecem duas coisas ao mesmo tempo. A segunda, é que o corpo não se mexe nem um centímetro.

A primeira, é que o fundo arenoso do rio engole o pé direito do inspetor, que cai de rabo no meio da correnteza. Jon não é um tipo de lágrima fácil, desses que se queixam só porque sim. Mas nem o barulho da corrente, nem o murmúrio do vento entre os caniços, nem os seus próprios impropérios atenuam os risos dos novatos. Por isso Jon, com a água pelos ombros e o orgulho ferido, permite-se, por um instante, cair nessa tão humana autocomiseração e atirar a culpa dos seus males para os outros. Onde raio estás tu, Antonia? […]»

«[…] Passaram sete meses desde que Antonia e Jon resgataram Carla Ortiz. O caso tinha dado a volta ao mundo, tanto pelo misterioso desaparecimento da herdeira como pelo que depois aconteceu entre ela e o pai. De Antonia Scott e do projeto Rainha Vermelha, nem uma linha nos jornais. De Jon, pouco. Ao sair do esgoto com Carla protegeu a cara dos flashes dos fotógrafos. Uma fotografia desfocada, uma flor sem cheiro. Não há prémios no projeto Rainha Vermelha, só anonimato. Uma vida sem nome, muitíssimo entusiasmo. E isso já foi prémio suficiente. O odioso Bruno Lejarreta, que tencionava fazer carreira televisiva em Madrid à custa do escândalo, viu-se diante de um problema. Já não se podia falar do inspetor Gutiérrez. Quando já nem apareces na Trece TV1, chegou a altura de voltares para casa com o rabo entre as pernas. Ai, que pena, pensou Jon quando soube. E abriu outra cerveja. Os programas de lixo matinais escarafuncharam durante uns dias o caso Ortiz. O cadáver de um dos sequestradores tinha aparecido, mas o outro continuava presumivelmente debaixo dos escombros do túnel de Goya Bis. Perguntaram-se pela sua identidade. Isto. E aquilo. E mais aquilo. Bitaitólogos e tweeteiros falaram sem saber do assunto, antes de passarem a falar sem saber de um outro assunto diferente. A vida continuou, como continuam as coisas sem muito sentido. O mundo virou a página. Antonia não. Antonia Scott nunca vira a página. […]»

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